sábado, 17 de abril de 2010

Quero...



(Tributo á algumas pessoas admiradas por mim e algumas outras...)

Eu estou com vontade de falar. Estou com vontade de ser ouvida como igual, e de ser entendida. De ser respeitada. Estou com vontade que as minhas idéias e ideais sejam proclamados. Estou com vontade de espaço. De direito, de credibilidade. Estou com vontade de quebrar rótulos, ou até mesmo recriá-los. De mudar as coisas do lugar, de mudar as pessoas de posições, de trocar de nome. De trocar de rua, de pele, de alma. EU QUERO FALAR!
Quero que algumas pessoas entendam que na minha solidão elas são minhas companhias. Quero que alguns personagens sejam reais. Quero que algumas realidades sejam novela. Quero ser o Tarantino, ou a Gabriela, que não sabe nem quem ele é. Quero trazer a praia aqui pra perto da minha casa. Quero uma massagem nos pés. Quero querer alguém. Quero ter alguém. Quero ser esse alguém pra outro alguém.
Eu quero falar pro Mateus que ele é pura arte. Paixão. Emoção. Eu não quero ser entendida e caracterizada com o rótulo de fã e toda a bagagem estereotipada que a palavra carrega. Eu quero ser mais. Ou nada.
Eu quero perguntar pro Danilo se ele fica com vergonha quando ele precisa falar o que todo mundo quer falar, mas não tem coragem. Eu quero tomar uma cerveja com o Felipe e falar sobre esportes, tentando convencê-lo, inutilmente, de que o flamengo é o melhor time do mundo e quero também escutar o Rafael tocar uma de suas melodias, tradutoras da alma. Quero a intimidade que eu acho, erroneamente, que eu tenho. Mas eu quero mesmo assim.
Quero voltar no tempo. Quero passar o tempo. Quero mandar no tempo.
Quero ter a credibilidade do Willian, quando ele fala. Quero falar 7 línguas igual o Marcos, quero entender o cotidiano como o Manuel Carlos, e quero a sensibilidade do José. Quero ser genial como Proust e simples como a Antônia. Quero a ingenuidade da Maria Eduarda e a paciência da Cláudia. Quero o humor do Cássio.
Quero saber escrever de amor como a Milly e quero a inquietude do Bruno. Quero a doçura do Aldo e a garra da Gianina. Quero os palcos! Quero arte!
Quero também, a delicadeza da Maria do Carmo, e o charme da Bárbara. Quero a imensidão de Vinícius e o talento do Tony. Quero a acidez da Fernanda...
Quero muito todas as coisas. Quero muito ser diferente. Quero, mais ainda, e sempre mais, querer...



Nomes-
Tarantino (Diretor)
Gabriela (Irmã)
Mateus (Solano – ator)
Danilo, Felipe, Rafael ( CQC – Jornalistas)
Willian (Bonner – Jornalista)
Marcos ( Uchôa – Jornalista)
Manuel Carlos ( Escritor)
Proust ( Romancista)
Antônia ( segunda mãe)
José (Saramago - Escritor)
Maria Eduarda (sobrinha)
Cláudia (Mamys)
Cássio (Papys)
Milly ( esqueci o sobrenome – Jornalista da TPM)
Bruno ( Primo)
Aldo (Primo)
Gianina ( Madrinha)
Maria do Carmo ( Vóvis)
Bárbara ( Irmã postiça)
Vinicius ( de Moraes – Músico)
Tony (Ramos – ator)
Fernanda (Young – Apresentadora GNT)

Síndrome da telespectadora - amante



(... que de tão apaixonada, precisou reaprender o que era arte!)

Tem dias que eu fico pensando na vida...
A novela começa. Shiiiii...Silencio!
Entre búzios e favelas me permito pensar. E em um pequeno descuido, penso tanto, que quase perco o inicio da cena na beira da piscina da casa amarela. Ainda bem que a câmera foca, nesse instante, só na mocinha.

(Mudança de plano)

De repente outro rosto ganha espaço... Completamente apaixonante. Transcende da projeção da imagem da arte enquadrada em 29 polegadas da minha TV, o ser humano – lê-se Miguel - da minha vida.
Suspiro...
Quase como se aquilo fosse real, eu me desmancho em sentimentos e me entrego a minutos inteiros, seis dias por semana, a devoção a alguém com a cara do Mateus Solano, mas que consegue ser mais bonito que o próprio ator e que o irmão gêmeo da personagem, Jorge, interpretado também, por ele. (hum???)


Ta. Calma. Respira. Espera passar a cena que eu explico...

(Mudança de Núcleo)

Das nao-sei-quantas milhões de pessoas que assistem a novela Viver a Vida, do horário nobre da Globo, eu sou apenas mais uma no numero das loucamente aprisionadas ao amor por um alguém que tecnicamente não existe no mundo real. Medico, carismático, portador do sorriso mais lindo do universo televisivo que chega a ser deselegante, Miguel ganha identidade, muitas vezes confundida com a do ator que o interpreta (o que acaba por complicar mais ainda as coisas), e incomoda mentes e corações. Miguel (não leia Mateus Solano) adoça, simplifica. E como faz falta nas noites de domingo. E como ver o Jorge nunca me basta... (não é possível que eles sejam a mesma pessoa! Heehhe)

Búzios de novo...

Enquanto espero a continuação da cena na casa amarela, retorno a pensar. E a palavra ARTE aparece metaforizada na minha mente: Esse amor é ARTE. E quase palpável, sólido. A sensação de existir é tão forte como o som do grito no quadro O GRITO, do norueguês Edvard Munch. Envolvente.
E como pensar nesse amor (arte) sem dar créditos ao autor e ao ator? Ao idealizador e ao interpretador? E mais, como falar desse sentimento/amor/arte que é a atuação, sem considerar a carga de ser responsável por carregar a própria obra-prima? O pintor tem o painel; o escritor, as folhas... O ator, ele mesmo. Jorge, Miguel, Ronaldo Bôscoli, O Ligador e mais uma infinidade de personagens se confundem com o Mateus, ou vice-versa. É ele o expositor de sua própria arte. O que, como eu já disse, complica ainda mais as coisas.
Quarto da Luciana. Silêncio novamente... Paralisada, eu fico, durante alguns momentos.
Tem dias que eu fico pensando na vida... Intervalo!
Penso mais um pouco...

Separar Miguel do Mateus - personagem do ator - é tão difícil como romper alguns laços maternais. Mas me parece tão necessário quanto... Reforço minha idéia ao entrar em uma comunidade de um site de relacionamentos sobre a novela e ler comentários em que algumas pessoas não conseguiram distinguir quem era quem. Muita confusão, pouca verdade, extrema exposição. Loucura.
Propaganda da Caixa. Mateus aparece. Me desperto pelo som da voz. Susto.
Não suspirei dessa vez. Susto de novo.
Que alivio senti... Não era o Miguel, era só o Solano. Era o ator, e não a arte!
Tem dias que eu fico pensando na vida...
Silêncio.


Obs.: De alguém que admira a arte da representação.
Obs2: De alguém que admira o ator Mateus Solano, a personagem Miguel e os diversos artistas mundiais.
Obs3: De alguém que luta pela identidade dos artistas e pelo respeito a eles! ;D