
(... que de tão apaixonada, precisou reaprender o que era arte!)
Tem dias que eu fico pensando na vida...
A novela começa. Shiiiii...Silencio!
Entre búzios e favelas me permito pensar. E em um pequeno descuido, penso tanto, que quase perco o inicio da cena na beira da piscina da casa amarela. Ainda bem que a câmera foca, nesse instante, só na mocinha.
(Mudança de plano)
De repente outro rosto ganha espaço... Completamente apaixonante. Transcende da projeção da imagem da arte enquadrada em 29 polegadas da minha TV, o ser humano – lê-se Miguel - da minha vida.
Suspiro...
Quase como se aquilo fosse real, eu me desmancho em sentimentos e me entrego a minutos inteiros, seis dias por semana, a devoção a alguém com a cara do Mateus Solano, mas que consegue ser mais bonito que o próprio ator e que o irmão gêmeo da personagem, Jorge, interpretado também, por ele. (hum???)
Ta. Calma. Respira. Espera passar a cena que eu explico...
(Mudança de Núcleo)
Das nao-sei-quantas milhões de pessoas que assistem a novela Viver a Vida, do horário nobre da Globo, eu sou apenas mais uma no numero das loucamente aprisionadas ao amor por um alguém que tecnicamente não existe no mundo real. Medico, carismático, portador do sorriso mais lindo do universo televisivo que chega a ser deselegante, Miguel ganha identidade, muitas vezes confundida com a do ator que o interpreta (o que acaba por complicar mais ainda as coisas), e incomoda mentes e corações. Miguel (não leia Mateus Solano) adoça, simplifica. E como faz falta nas noites de domingo. E como ver o Jorge nunca me basta... (não é possível que eles sejam a mesma pessoa! Heehhe)
Búzios de novo...
Enquanto espero a continuação da cena na casa amarela, retorno a pensar. E a palavra ARTE aparece metaforizada na minha mente: Esse amor é ARTE. E quase palpável, sólido. A sensação de existir é tão forte como o som do grito no quadro O GRITO, do norueguês Edvard Munch. Envolvente.
E como pensar nesse amor (arte) sem dar créditos ao autor e ao ator? Ao idealizador e ao interpretador? E mais, como falar desse sentimento/amor/arte que é a atuação, sem considerar a carga de ser responsável por carregar a própria obra-prima? O pintor tem o painel; o escritor, as folhas... O ator, ele mesmo. Jorge, Miguel, Ronaldo Bôscoli, O Ligador e mais uma infinidade de personagens se confundem com o Mateus, ou vice-versa. É ele o expositor de sua própria arte. O que, como eu já disse, complica ainda mais as coisas.
Quarto da Luciana. Silêncio novamente... Paralisada, eu fico, durante alguns momentos.
Tem dias que eu fico pensando na vida... Intervalo!
Penso mais um pouco...
Separar Miguel do Mateus - personagem do ator - é tão difícil como romper alguns laços maternais. Mas me parece tão necessário quanto... Reforço minha idéia ao entrar em uma comunidade de um site de relacionamentos sobre a novela e ler comentários em que algumas pessoas não conseguiram distinguir quem era quem. Muita confusão, pouca verdade, extrema exposição. Loucura.
Propaganda da Caixa. Mateus aparece. Me desperto pelo som da voz. Susto.
Não suspirei dessa vez. Susto de novo.
Que alivio senti... Não era o Miguel, era só o Solano. Era o ator, e não a arte!
Tem dias que eu fico pensando na vida...
Silêncio.
Obs.: De alguém que admira a arte da representação.
Obs2: De alguém que admira o ator Mateus Solano, a personagem Miguel e os diversos artistas mundiais.
Obs3: De alguém que luta pela identidade dos artistas e pelo respeito a eles! ;D
Gente....que lindo!!!!
ResponderExcluirCada dia me encanto mais com vc Rafa!!!